E os estudos…

Coisas daqui, coisas dali, fui ouvir o CD com o audio do programa MPB Especial, gravado em 04.junho.1973. Este CD faz parte da belíssima coleção “A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes” lançada pelo Sesc São Paulo. Uma maravilha poder ouvir todos esses programas que o Fernando Faro produziu com primazia!

Resolvi compartilhar um pedacinho com vocês. Vejam só:

Magro: Eu nunca consegui estudar música. Estudei três anos de piano, com uma professora do interior que batia nos dedos quando a gente errava a nota.

Ruy: E você errava às pampas, né?

Magro: Fiquei com os dedos todos inchados. Lá mesmo eu comecei a estudar música, comecei a estudar teoria, porque tinha a banda de música. Era do interior, Itaocarra, norte do Estado do Rio.

Ruy: Perto de Cambuci.

Magro: Perto de Cambuci, porém melhor. Tinha uma banda de música lá. Daí eu comecei a estudar pra tocar na banda, cheguei a tocar clarinete na banda, era uma grande honra pra mim. Era a Sociedade Musical Patápio Silva, que foi o grande flautista da terra, ganhou a flauta de prata no Scala de Milão. Aí vim pra Niterói e formamos o quarteto. Quando a gente começou mesmo a trabalhar profissionalmente, eu quis voltar a estudar música teoricamente, mas não dava porque você não pode marcar aula todas as quartas-feiras às sete da noite, e vai à primeira e falta à segunda, à terceira. Então, deu pra eu aprender mais ou menos sozinho.

Aquiles: O Gaya (maestro Lindolpho Gaya) também te deu muito…

Magro: O Gaya me ajudou muito, foi o arranjador do primeiro disco nosso e do segundo também, e do terceiro também (arranjador instrumental), me ajudou demais.

Atualmente. Eu fui aprendendo com o Gaya a fazer arranjos instrumentais. Ele me ensinava como tocava os instrumentos, me dava livro pra aprender. A partir do quarto disco, eu comecei a escrever, além dos arranjos vocais, comecei a fazer instrumentais também.

Magro falava mesmo dessa vontade que tinha de estudar e da impossibilidade por conta dos compromissos profissionais. Guerra Peixe foi um dos professores com que tentou ter aulas fixas. Mas nos comentários das faixas dos LPS dá ver que era mesmo o Gaya um grande ídolo dele e, sem dúvida, foi seu grande mestre dos arranjos orquestrais no dia a dia das gravações.

A matéria abaixo, publicada no jornal “Última hora” em 27 de abril de 1968,  não deixa dúvidas sobre a vontade que o Magro sempre teve de estudar. Isso foi marca dele por toda vida: a vontade de sempre aprender mais e mais.

MTW

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Uma resposta para E os estudos…

  1. Mila Thiele disse:

    Mas é isso mesmo, esse mesmo ímpeto de aprender, estudar, descobrir, a gente viu bem de perto quando ele se inscreveu no curso de Pintura. Dedicação e curiosidade e vontade de saber incríveis! Saudades…

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