Assim foi que se deu

Este final de semana estive em Niterói e fui gostosamente ciceroneada pela família do Magro.   Minha cunhada me levou pra ver a UFF de Engenharia, onde Magro e Miltinho estudaram. Se conheceram um pouco antes, nos estudos pré-vestibulares. Lá na UFF aconteciam as Noites de Música Popular Brasileira, organizadas pelo Miltinho. É uma linda construção. Vejam só:

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2013-07-07 11.40.39Fiquei ali no portão alguns instantes, enquanto fotografava e admirava aquele lugar, imaginando como teria sido aquela época. Como eram aquelas ‘jam sessions’? Como era pro Magro ir pra faculdade encontrar com Miltinho? Qual o espaço que a engenharia tinha quando a música já tinha ocupado tanto?

Resolvi, então, postar esse texto que Magro escreveu sobre esse comecinho e a origem do nome do grupo. Deliciem-se com a leitura!

MTW

 Sempre achei que a matemática e a música se harmonizavam.

A matemática, como a música, tem seus acordes perfeitos, seus intervalos justos e, também, suas dissonâncias, seus ps e suas equações, que se resolvem como uma seqüência harmônica resolve uma melodia.

Na “fluminense  de engenharia” o Miltinho tocava violão e agitava o DCE promovendo “jam sessions” (era isso mesmo:tocava-se bossa nova mas o agito tinha que se chamar “jam session”!).

Eu, também estudando engenharia (pretendia fazer eletricista e, depois, me especializar em eletrônica…?), tocava vibrafone em um conjunto de bailes chamado Praia Grande.

Era fatal que, sabendo que eu tocava tal instrumento, surgisse, por parte do Miltinho, o convite para participar de uma “jam session”.

Paulinho Tisiu na flauta, Fernando Maluco na bateria, Geraldo no contrabaixo(de pau), Miltinho no violão e Waghabi no vibrafone (era eu…).

Que nome dar ao grupo? Pensa pra lá, pensa pra cá e… lá vem de novo a engenharia. Na forma de uma fórmula.

Nós vamos tocar que tipo de música? Brasileira! Então? Então o quê? Música popular brasileira! Não entendi!

M de música, P de popular e B de brasileira… e de burro que você não entende nada! Êpa! Tá bom, me desculpe o final da frase. Que tal? Legal!

E com vocês, no DCE da fluminense de engenharia, o mais novo grupo de bossa nova:

MPB-5! (aplausos, aplausos!)

Corta…

O Miltinho também fazia parte de um outro grupo: o CPC(lá vem sigla…), Centro Popular de Cultura de Niterói, filiado ao CPC da UNE e recentemente criado por Carlos Vereza. As reuniões eram na casa dos pais do Aquiles, que eu ainda não conhecia (nem o Aquiles nem os pais).

Dentro do CPC existia um núcleo musical, basicamente composto por um trio, que se encarregava de cantar e animar as apresentações teatrais e musicais.

Convite feito, convite aceito. Marcamos na casa do Aquiles, à tarde, para eu conhecer o trio vocal (aliás, era uma paixão antiga minha: cantar em vocal).

Fato consumado. Cheguei, ouvi, adorei e pedi para participar! Estava formado o Quarteto do CPC:

Aquiles, Miltinho, Ruy e Waghabi que, com 1,78m pesava 58 quilos… Era 1963.

Corta…

Abril de 1964. Golpe militar. A sede da UNE em chamas (minha cabeça também…o que eu faço com o disco do CPC da UNE cantando a Canção do Subdesenvolvimento? Escondo ou quebro e jogo na privada?). Acabaram os CPCs. O horizonte era negro (mal sabia que ia piorar.E muito!).

E, depois do golpe, o Quarteto do CPC perdeu seu nome. Logo agora que a SARAU (selo independente) nos convidou para gravar um compacto duplo!… Temos que encontrar um nome! Waghabi e seus waghabinhos? NÃO!! Quarteto Niterói? NÃO!! Plin!! Lembra da “jam session”?

E com vocês o MPB4!!!

P.S.: Quem disse que o MPB4 parecia prefixo de trem da central foi o Sergio Porto, ao comentar o nosso primeiro CD(compacto duplo).

                                               Magro Waghabi (diretor musical do MPB4)

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8 respostas para Assim foi que se deu

  1. Vera disse:

    Que bom poder ouvir o Magro! Obrigada Monica

  2. Adorei, Mônica. Lendo o texto dá até para “ouvir” a voz do magro contando esta história!

  3. José Fabio Cacace disse:

    Tive a mesma sensação da Marialice. Bom saber de história de nossos ídolos.

  4. Adalberto Pastana disse:

    Puxa…como disse o bom Mário Quintana:”o passado não reconhece seu lugar,está sempre presente!!! Mto bom saber desse passado…que se faz presente e se torne eterno…

  5. Essa registro sobre o começo do MPB4 é uma preciosidade. Obrigado, Mônica.

  6. Bom ler os comentários de todos vocês! Agradeço! bjbj

  7. Francisco de Assis disse:

    Mônica. Sou cunhado do Magro, que sempre chamei de Antonio José desde os 15 anos, e ele me chamava de Chico. Adorei sua matéria. Continuo acompanhando “coisas” do “Magro”. Era seu fã, não sei se ele sabia, não importa.

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