Vozes do Magro – segunda edição?

Hoje, por conta da vontade de concretizar uma segunda edição do “Vozes do Magro”, reli a apresentação e os prefácios. Incrível como o frescor dele ainda está todo ali!

Constatei, mais um vez,  a beleza que é esse livro com a história de sua concretização e a importância que tem para músicos e não músicos, amantes da música e de histórias. Tomara que essa segunda edição se concretize!

Deu vontade de colocar aqui o prefácio do Paulo César Pinheiro. Aí vai.

Este livro, de autoria de meu velho amigo Magro, é um importante e precioso legado que ele nos deixa nos seus últimos tempos de uma existência sublime. Ele conta a história da formação de um dos maiores grupos vocais de todos os tempos, o MPB4, suas alegrias e vicissitudes, seu talento e amadurecimento artístico, seu engajamento político, sua luta e seriedade, e, sobretudo, o recorde de sua longevidade.

O Antônio José nos deu uma aula de vida com seu comportamento ético, seu pensamento coletivo (em um mundo extremamente egoísta), seu bom gosto musical e sua alma fraterna. Era, portanto, esse espírito que passava ao conjunto do qual fazia parte.

Magro foi um dos maiores arranjadores que conheci. Sua armação vocal era uma teia de seda, sempre surpreendente e bela. Sabia, como ninguém, tecer arabescos artesanais, com filigranas de ouro e prata em delicados sons para sua voz e a de seus companheiros, tanto para ouvidos sensibilíssimos de músicos exigentes, quanto para o povo leigo, que se comovia com a mesma intensidade. Ele conhecia, da mesma forma, o mistério da harmonia e o segredo da emoção quando mexia com os instrumentos. E nunca era apenas um arranjo a mais. Havia sempre um truque, um espanto no meio do caminho, um encantamento de bruxo.

E o fundamental, neste valioso trabalho que ele deixa escrito, são seus ricos comentá- rios, disco a disco, faixa a faixa, de uma longa e vitoriosa carreira como um dos grandes artistas sérios da música do Brasil.

Arremato este breve prefácio falando sobre o exemplo de pessoa e caráter que foi meu amado camarada por meio de um poema que fiz no dia seguinte à sua despedida, ainda com um marejo nos olhos e um arrepio na espinha, e que meu parceiro Miltinho tão enternecidamente musicou:

Amigo do Peito (Miltinho/Paulo César Pinheiro)

Eu tinha um amigo dileto
De um tempo qualquer bem antigo.
Ele era um sujeito correto
Consigo, com o mundo e comigo.

Cresci com esse amigo do peito
Do lado de mim no perigo.
Lutávamos do mesmo jeito,
Os dois, contra o mesmo inimigo.

Um dia, esse amigo foi embora.
É triste, mas é como eu digo.
Por ele todo mundo chora.
E a sua saudade é um castigo.

A dor de uma perda é uma dor
Que eu quero entender, não consigo.
Por que se perder um amor?
Por que ver morrer um amigo?

Um grande abraço
Paulo César Pinheiro

E aqui uma música pouco conhecida do Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro gravada pelo MPB4, se não me engano, em 2006. Ouçam e vejam “Calça de veludo” (Acabei de ver que Magro está usando uma camiseta do Chez Maricotinha, nosso café em Conservatória-RJ)

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